Next Varejo 2026: o que o consumidor está dizendo e o que investidores e varejistas precisam ouvir

O varejo não está mudando por causa da tecnologia. Está mudando porque o consumidor mudou.

Next Varejo 2026: o que o consumidor está dizendo e o que investidores e varejistas precisam ouvir

12 de fevereiro de 2026

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5 minutos

O varejo vive uma transformação contínua, mas 2026 marca um ponto de inflexão importante: não basta mais adotar tecnologia, abrir novos canais ou seguir tendências globais.

O desafio agora é construir experiências coerentes, confiáveis e integradas, a partir de uma leitura real do comportamento do consumidor.

Foi com esse pano de fundo que aconteceu o Next Varejo 2026: Insights Globais, Ações Locais, uma iniciativa do GVAngels, em parceria com a Galaxies, investida do grupo, realizada no Cubo Itaú.

O encontro reuniu investidores, empreendedores e executivos para discutir o futuro do varejo a partir de dados, casos reais e decisões práticas.

Na abertura do evento, Lorenzo Barbati, Diretor Executivo do GVAngels, destacou a importância do tema e do formato:

“Estamos falando de varejo olhando para o que vai acontecer agora, em 2026, trazendo nossas investidas do setor e conectando tudo isso com dados, mercado e decisões reais. Esse é o tipo de conversa que faz sentido dentro do ecossistema.”

O ponto central do evento foi a apresentação do estudo Next Varejo: Insights Globais, Ações Locais, conduzido por Valéria Rodrigues, da Shopper Experience (HSR), que trouxe uma leitura profunda sobre como o consumidor brasileiro está reagindo às principais transformações do varejo global.

O consumidor já é omnichannel, o varejo ainda não

Um dos primeiros dados apresentados pela HSR deixa isso claro:

73% dos consumidores compram online ao menos uma vez por mês e 9 em cada 10 já utilizaram o modelo Click & Retire.

O problema não está na adoção do consumidor, mas na execução do varejo.

  • 68% consideram essencial que as informações sejam consistentes entre canais;

  • 100% já tiveram algum problema em compras omnichannel.

    Os principais atritos estão em:

    • Divergência de preços

    • Falta de estoque;

    • Má integração de dados cadastrais.

O recado é direto: omnichannel não pode ser um discurso de marketing, precisa ser uma experiência invisível, fluida e sem atrito. Para o consumidor, não importa o canal, importa a resolução.

Esse ponto é crítico também do ponto de vista de venture capital: negócios que não resolvem bem a integração de dados, logística e atendimento carregam riscos operacionais que escalam junto com o crescimento.

WhatsApp virou SAC, loja física virou solução

Quando algo dá errado, o consumidor quer rapidez e ele já escolheu o canal:

  • 51% preferem resolver problemas pelo WhatsApp;

  • A loja física aparece como o segundo canal mais relevante;

  • Telefone praticamente desaparece como opção.

Isso reposiciona completamente o papel da loja física. Ela deixa de ser apenas ponto de venda e passa a ser ponto de solução, experiência e relacionamento.

A loja física mudou de função

Um dos grandes mitos quebrados pelo estudo da HSR diz respeito à Geração Z.

Apesar da narrativa comum, 53% dos consumidores da Geração Z preferem a loja física quando precisam escolher apenas um canal. Mas com uma condição clara: a loja precisa entregar experiência, não apenas produto.

Os principais motivadores para ir à loja física hoje são:

  • Atendimento especializado;

  • Demonstração de produtos;

  • Experiência com a marca;

  • Eventos e encontros.

Moda e eletrônicos são os segmentos mais beneficiados por esse modelo híbrido, onde o físico constrói marca, margem e relacionamento, enquanto o digital entrega conveniência.

Para investidores, isso reforça uma tese importante: o varejo vencedor não é digital ou físico: é integrado.

Live commerce e TikTok Shop: entretenimento virou canal de venda

Se a omnicanalidade é o “novo básico”, o shoppertainment é onde o crescimento está acontecendo.

Os dados sobre TikTok Shop e live commerce chamam atenção:

  • 88% possuem conta no TikTok (94% entre jovens de 18 a 24 anos);

  • 92% conhecem o TikTok Shop;

  • 57% já compraram pela plataforma;

  • 68% indicam intenção de compra nos próximos 6 meses;

  • 20% já compraram 7 vezes ou mais em 12 meses.

Os drivers são:

  • Facilidade de pagamento (76%);

  • Variedade de produtos (70%);

  • Clareza de informação;

  • Sensação de exclusividade;

  • Interação em tempo real;

Para o varejo e para o venture capital, o TikTok Shop deixa de ser “tendência” e passa a ser infraestrutura comercial relevante, especialmente para tickets menores e alta recorrência.

Comércio agêntico: tecnologia não é o problema, confiança é

Quando o tema é inteligência artificial, o estudo mostra um consumidor curioso, mas cauteloso:

  • 64% já ouviram falar de agentes de IA;

  • 25% consideram comprar com auxílio de IA nos próximos 6 meses;

  • Apenas 1 em cada 10 se sente confortável em delegar toda a decisão de compra à IA.

As principais barreiras:

  • Medo de erros na decisão (57%);

  • Privacidade de dados (53%).

O caminho apontado pela pesquisa é claro:

  • Transparência

  • Controle do usuário

  • Limites claros;

  • Comunicação objetiva de valor.

O maior desafio hoje é construir confiança.

O que isso tudo significa para o mercado e para os investidores

O Next Varejo 2026 deixou um recado direto para varejistas, startups e investidores:

  • O consumidor já mudou;

  • A tecnologia já existe;

  • O gargalo está na execução, integração e confiança.

Para o GVAngels, esse tipo de leitura é fundamental para avaliar negócios, apoiar fundadores e tomar decisões de investimento com visão de longo prazo.

Mais do que tendências, o evento mostrou como dados, comportamento e estratégia precisam andar juntos para construir empresas sólidas em um varejo cada vez mais híbrido, conectado e exigente.

O futuro do varejo não será definido por quem adota mais tecnologia, mas por quem entende melhor o consumidor e entrega exatamente o que promete.

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