Smart Money: o que é e como investidores podem ajudar uma startup além do capital

Smart Money: o que é e como investidores podem ajudar uma startup além do capital
BarbaraBarbara
17 de novembro de 202313 minutos

Smart Money é o investimento acompanhado de conhecimento, experiência e conexões que podem contribuir para decisões estratégicas e para o desenvolvimento de uma startup.

Em um investimento em startup, o capital é necessário para financiar crescimento, contratar pessoas, desenvolver produtos e executar o plano de negócio.

Mas, especialmente nos estágios iniciais, a empresa também enfrenta decisões para as quais o dinheiro, sozinho, não oferece resposta.

  • Como estruturar uma estratégia comercial?

  • Com quem falar para abrir uma nova parceria?

  • Como avaliar uma contratação importante?

  • Qual especialista pode ajudar em uma questão jurídica?

  • Como lidar com um desafio de go-to-market?

É nesse espaço que o Smart Money pode gerar valor.

No contexto do investimento-anjo, o investidor pode contribuir com três elementos principais: capital, conhecimento e conexão.

Mas receber Smart Money não significa transferir a gestão da startup para os investidores.

O fundador continua responsável pela operação e pelas decisões do negócio.

A contribuição do investidor está em compartilhar experiência, fazer perguntas, oferecer perspectivas e conectar a empresa às pessoas certas.

O que é Smart Money?

Smart Money é o capital investido em uma startup acompanhado de conhecimento, experiência, relacionamento e conexões que podem contribuir para o desenvolvimento do negócio.

Na prática, um investidor que oferece Smart Money pode ajudar uma startup de diferentes maneiras:

  • compartilhar experiências de gestão e de mercado;

  • contribuir para decisões estratégicas;

  • conectar a empresa a potenciais clientes e parceiros;

  • indicar especialistas;

  • apoiar discussões sobre vendas, go-to-market, contratação ou finanças;

  • compartilhar aprendizados de outros negócios;

  • facilitar conexões com outros investidores.

O valor dessa contribuição depende, principalmente, da relevância da experiência do investidor para o desafio enfrentado pela startup.

Ter uma grande rede de contatos, por exemplo, não significa necessariamente gerar Smart Money.

A conexão precisa fazer sentido para o problema que a empresa está tentando resolver.

Por isso, Smart Money não deve ser entendido simplesmente como "dinheiro inteligente".

É uma relação em que o investimento financeiro é acompanhado por recursos intangíveis que podem ser relevantes para a jornada da empresa.

Smart Money não significa interferência na gestão

Um dos principais equívocos sobre Smart Money é imaginar que o investidor passa a participar da operação da startup.

Não é essa a lógica.

O fundador continua responsável pela execução do negócio.

O investidor pode atuar como guia, conselheiro ou mentor, compartilhando experiências e ajudando o empreendedor a avaliar alternativas.

Essa participação pode acontecer, por exemplo, quando um investidor questiona uma premissa financeira, compartilha uma experiência semelhante ou apresenta alguém que pode ajudar a resolver determinado problema.

O grau de envolvimento também pode variar.

Alguns investidores terão uma atuação mais próxima; outros contribuirão pontualmente, de acordo com sua experiência e disponibilidade.

O importante é que exista alinhamento sobre como será a relação entre founders e investidores depois do aporte.

No acompanhamento de suas investidas, o GVAngels destaca justamente a importância de comunicação, transparência, relacionamento e busca ativa por ajuda dentro da rede de suporte.


O que um investidor pode oferecer além do capital?

O Smart Money pode aparecer de diferentes formas ao longo da jornada da startup.

Conhecimento e experiência

Investidores que já atuaram como executivos, empreendedores ou especialistas em determinados setores acumularam aprendizados que podem ser relevantes para uma empresa em crescimento.

Esse conhecimento pode ajudar o founder a avaliar decisões relacionadas a:

  • estratégia;

  • vendas;

  • marketing;

  • produto;

  • finanças;

  • contratação;

  • governança;

  • jurídico;

  • expansão.

A contribuição não está necessariamente em entregar uma resposta pronta.

Muitas vezes, está em fazer as perguntas certas e compartilhar experiências que ajudem o empreendedor a tomar uma decisão melhor.

Conexões estratégicas

Uma rede de investidores pode ampliar o acesso da startup a pessoas e organizações que seriam mais difíceis de alcançar individualmente.

Uma conexão pode levar a:

  • um potencial cliente;

  • um parceiro comercial;

  • um executivo;

  • um especialista;

  • outro fundador;

  • um fornecedor;

  • um novo investidor.

O ponto central é a qualidade da conexão.

Uma apresentação para uma empresa que realmente pode se tornar cliente é muito mais relevante do que uma grande quantidade de contatos sem aderência à necessidade da startup.

Apoio em decisões estratégicas

O investidor também pode funcionar como uma segunda perspectiva para decisões importantes.

Uma startup pode, por exemplo, levar para sua rede uma questão relacionada a:

"Estamos tentando estruturar nosso go-to-market e precisamos entender como empresas semelhantes resolveram esse problema."

Ou:

"Estamos avaliando uma contratação para uma posição estratégica. Alguém da rede já passou por esse desafio?"

Esse tipo de interação transforma a rede de investidores em uma fonte de conhecimento acessível ao founder.


Como uma startup pode aproveitar melhor o Smart Money?

Receber acesso a uma rede de investidores não significa que todas as oportunidades aparecerão espontaneamente.

A startup precisa saber como pedir ajuda.

1. Leve problemas concretos para a rede

Pedidos genéricos dificultam a contribuição.

Em vez de simplesmente informar que a empresa precisa melhorar vendas, é mais eficiente apresentar o problema de maneira específica, com contexto e dados.

Quanto mais claro o desafio, maior a chance de encontrar alguém com experiência relevante.

2. Peça conexões específicas

Se a necessidade é comercial, por exemplo, o founder pode indicar exatamente qual perfil de empresa ou profissional gostaria de conhecer.

Isso permite que o investidor procure dentro de sua própria rede alguém que tenha aderência ao objetivo.

3. Aproveite a diversidade dos investidores

Uma das vantagens de uma comunidade de investidores é a variedade de experiências.

Um founder pode encontrar uma pessoa com experiência em vendas, outra com conhecimento jurídico, outra com experiência em tecnologia e outra com relacionamento em determinado setor.

Não é necessário que um único investidor tenha todas as respostas.

4. Mantenha os investidores informados

A qualidade do Smart Money também depende da qualidade da comunicação.

Reports periódicos podem apresentar:

  • evolução da receita;

  • crescimento de clientes;

  • principais KPIs;

  • situação financeira;

  • burn rate;

  • runway;

  • conquistas;

  • desafios;

  • próximos passos;

  • necessidades da empresa.

Essa estrutura é apresentada no material de acompanhamento pós-investimento do próprio GVAngels.

Quando os investidores conhecem o momento da empresa, também conseguem identificar oportunidades em que podem contribuir.


Como o GVAngels coloca o Smart Money em prática?

No GVAngels, a relação entre investidores e startups não termina quando o investimento é realizado.

O investidor líder funciona como uma das principais pontes entre o grupo e a startup, facilitando a comunicação e ajudando a conectar a empresa à rede de associados.

Mas essa não é a única forma de interação.

Os founders também participam de eventos promovidos pelo grupo, onde podem apresentar seus desafios diretamente à comunidade e encontrar investidores com experiências relevantes para suas necessidades.

Além disso, existem canais abertos de comunicação, incluindo WhatsApp, que permitem a troca entre founders e investidores ao longo da jornada.

Sempre que possível, as investidas também são colocadas em contato presencial com a base do GVAngels.

O objetivo é transformar uma rede de investidores em uma rede de conhecimento e relacionamento acessível às empresas investidas.

Essa lógica está alinhada ao modelo apresentado pelo GVAngels para o pós-investimento: além do capital, os investidores podem contribuir por meio de contatos comerciais, competências e mentoria.


Smart Money na prática: o caso da NUU

Uma das formas mais claras de entender o conceito de Smart Money é observar o que acontece depois do investimento.

Foi o que ocorreu com a NUU, empresa fundada por Rafaela Gontijo, Maíra Rabelo e Julia Dabés.

Quando a empresa iniciou sua rodada junto ao GVAngels, em 2023, a NUU não seguia exatamente o perfil mais tradicional de startup que concentrava a atenção do mercado naquele momento.

A empresa atuava no mercado de alimentos e tinha como proposta reinventar produtos tradicionais brasileiros a partir da mandioca, com produtos 100% sem glúten.

O negócio havia começado com a venda de pão de queijo em feiras no Rio de Janeiro e, posteriormente, ampliou sua distribuição para grandes redes varejistas, cafeterias e distribuidores em diferentes regiões do país.

Entre os produtos da empresa estão pão de queijo, palitinhos e dadinhos de tapioca e pizzas de massa de pão de queijo.

Uma tese diferente em um mercado concentrado em tecnologia

Para Edson Araújo, investidor-anjo do GVAngels e líder do investimento na NUU, a equipe fundadora foi um dos principais fatores que chamaram sua atenção.

Segundo ele, as fundadoras demonstraram desde as primeiras conversas clareza estratégica sobre o posicionamento da marca, o desenvolvimento dos produtos e os caminhos de crescimento.

"O que mais chamou atenção foi a clareza estratégica das executivas. Desde o início elas demonstraram ter uma visão muito clara de onde queriam chegar, com produtos bem definidos e muito bem posicionados."

A oportunidade também representava uma possibilidade de ampliar a atuação do grupo em um setor diferente daqueles mais recorrentes nas discussões de venture capital.

Nesse caso, a decisão de investir envolveu analisar a empresa a partir de suas próprias características, e não apenas compará-la ao perfil predominante do mercado.

O que aconteceu depois do investimento?

A relação entre a NUU e seus investidores continuou depois da rodada.

Segundo Flávia, CFO da companhia, a empresa passou por um importante processo de amadurecimento, ampliando sua presença no mercado, sua base de clientes recorrentes, seu portfólio e seus canais de venda.

Ao mesmo tempo, manteve os pilares que estavam presentes desde o início da operação.

"Hoje temos uma marca muito forte, clientes recorrentes, produtos cada vez mais incríveis e muita inovação no portfólio. Tudo isso sem esquecer das nossas raízes e sem crescer por crescer."

A empresa também ampliou sua presença em eventos e experiências de marca e desenvolveu colaborações como os produtos licenciados da Turma da Mônica e os dadinhos de tapioca desenvolvidos em parceria com o chef Rodrigo Oliveira.

Onde entrou o Smart Money?

Segundo a liderança da NUU, a contribuição dos investidores foi além do aporte financeiro.

Os investidores participaram de mentorias, discussões de planejamento e revisões de longo prazo, oferecendo diferentes perspectivas para decisões importantes da empresa.

Rafaela Gontijo, CEO e cofundadora da NUU, também destaca o papel do GVAngels na ampliação da rede de contatos da companhia e no acesso a experiências de executivos e empreendedores que já haviam enfrentado desafios semelhantes.

"O GVAngels foi muito importante para a NUU, principalmente pela qualidade das conexões e pela visão estratégica dos investidores envolvidos."

Para Edson Araújo, uma das principais responsabilidades do líder de investimento é justamente fazer a conexão entre a startup e o conhecimento acumulado pela rede:

"Minha atuação foi principalmente fazer o elo entre a NUU e os associados do GVAngels, que formam um grupo extremamente qualificado e diverso."

Esse é um exemplo concreto de Smart Money: o investidor não substitui o founder na operação, mas amplia o acesso da empresa a conhecimento e relacionamento que podem ser úteis para suas decisões.


O follow-on como sinal de confiança

Dois anos depois do investimento inicial, o GVAngels voltou a investir na NUU por meio de um follow-on.

Uma nova rodada não é apenas uma oportunidade de colocar mais capital em uma empresa.

Para o investidor que já conhece a startup, ela também representa uma nova decisão baseada na experiência acumulada durante o relacionamento.

Ao longo desse período, o investidor passa a observar não apenas o que foi apresentado no pitch, mas também:

  • a capacidade de execução do time;

  • a evolução do negócio;

  • a adaptação diante dos desafios;

  • a qualidade das decisões;

  • o potencial de crescimento.

No caso da NUU, o follow-on representa a continuidade da relação construída desde o primeiro investimento e a confiança dos investidores na equipe, na estratégia e no potencial da companhia.

A jornada de uma startup investida pelo GVAngels é pensada justamente para continuar depois do aporte, com acompanhamento do negócio, relacionamento com os founders, novos investimentos quando aplicável e preparação para uma eventual saída.


Outro exemplo de Smart Money: Leadster

A Leadster oferece outro exemplo, desta vez relacionado à gestão financeira.

Fabricio, fundador da empresa, destacou a contribuição de Augusto Tonza, investidor-anjo do GVAngels e líder do deal, na estruturação da projeção de crescimento da companhia.

Segundo o fundador:

"Acredito que a estruturação da nossa projeção de crescimento foi uma das principais contribuições do Augusto Tonza."

Essa contribuição ajudou a empresa a alcançar maior previsibilidade em relação à sua queima mensal.

É uma demonstração simples de como o Smart Money pode acontecer: o valor do investidor não está apenas no recurso aportado, mas também no conhecimento aplicado a um desafio concreto da empresa.


Como escolher um investidor estratégico para sua startup?

Nem todo investidor será estratégico para todas as startups.

O melhor investidor depende do momento da empresa, de seus desafios e da experiência que pode ser relevante para aquela jornada.

Antes de escolher um investidor, o founder pode avaliar:

Experiência relevante

O investidor conhece o setor ou já enfrentou desafios semelhantes?

Capacidade de contribuir

Ele consegue ajudar em questões estratégicas além do aporte?

Qualidade da rede

As conexões que possui são relevantes para o estágio e para os objetivos da startup?

Disponibilidade

Existe disposição para acompanhar a empresa depois do investimento?

Alinhamento de expectativas

Founder e investidor concordam sobre o nível de participação e comunicação esperado?

Forma de atuação

O investidor contribui com perguntas, experiências e conexões ou pretende interferir diretamente na operação?

Um bom investidor estratégico não precisa saber resolver todos os problemas da startup. Ele precisa saber onde pode contribuir e conhecer pessoas que possam ajudar quando a resposta estiver fora de sua própria experiência.


O que Smart Money não é?

Smart Money não elimina os riscos de investir em startups.

Também não significa que o investidor:

  • garante o crescimento da empresa;

  • substitui a capacidade de execução do founder;

  • administra a operação;

  • garante clientes;

  • garante novas rodadas;

  • elimina a necessidade de uma boa estratégia;

  • transforma automaticamente uma startup em um negócio de sucesso.

O investimento-anjo continua sendo uma modalidade de alto risco.

A contribuição estratégica do investidor pode ser relevante, mas não substitui fundamentos como mercado, produto, time, modelo de negócio, tração e capacidade de execução.

Na análise de startups, nós do GVAngels consideramos elementos como mercado, proposta de valor e produto, time fundador, financials, valuation e rota de exit.

Por isso, Smart Money deve ser entendido como um recurso adicional à capacidade da empresa, e não como uma garantia de resultado.


Smart Money é mais do que dinheiro

O investimento é apenas o começo da relação entre uma startup e seus investidores.

Quando existe alinhamento, a relação pode continuar por meio de perguntas, conhecimento, conexões, mentorias e acesso a uma rede de pessoas que já enfrentaram desafios semelhantes.

É essa combinação que dá significado ao conceito de Smart Money.

Para a startup, significa ter acesso não apenas a capital, mas também a uma comunidade que pode contribuir em momentos específicos da jornada.

Para o investidor, significa colocar sua experiência e sua rede a serviço das empresas nas quais decidiu apostar.

No GVAngels, essa lógica pode ser resumida em três elementos:

capital, conhecimento e conexão.

E quanto mais relevante for a conexão entre o desafio da startup e a experiência disponível na rede, maior pode ser o valor dessa relação.


FAQ - Perguntas frequentes